Itaipava: de parada ocasional a destino de charme

Hoje Itaipava se notabiliza como um dos mais cobiçados destinos de charme das regiões serranas do Brasil por três características inconfundíveis: (1) clima inigualável, considerado um dos melhores do mundo, combinando o ar seco e puro de montanha com os recursos de uma grande cidade; (2) proximidade com o Rio de Janeiro – apenas uma hora de carro na melhor auto estrada do Estado e (3) centro gastronômico, considerado um dos mais importantes do Estado e do País, conhecido como Vale Gourmet.

Mas nem sempre foi assim. Nos tempos do Brasil Colônia, Itaipava não passava de uma singular referência às margens de uma trilha que seguia às margens do Rio Piabanha, um ponto de parada ocasional para descanso dos cavalos e de quem os conduzia.

Já no Império, em 1861, o imperador D. Pedro II veio a inaugurar sob o nome de União e Industria aquela que viria a ser a primeira rodovia macadamizada da América Latina, interligando as comarcas do Rio de Janeiro à Juiz de Fora. Este foi marcante para consolidar o desenvolvimento de toda a região às margens da estrada. Deu origem também ao primeiro guia de viagens do Brasil, escrito pelo alemão Revert Henrique Klumb, fotógrafo do imperador, e intitulado “Doze Horas em Diligência – Guia do Viajante de Petrópolis à Juiz de Fora”. O livro descrevia com textos e imagens a fantástica viagem.

Ainda no século XIX foi inaugurada a via férrea que interligava o Rio de Janeiro à Petrópolis e dali à Três Rios e, em torno de 1890, passou a funcionar a estação “Itaipava” como um ponto obrigatório de parada para o trem.

Ao longo do século XX, Itaipava foi se consolidando gradativamente uma parada indispensável não só para trens, mas também para os ônibus, caminhões e carros que se deslocavam entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora: descansar as pernas, tomar um cafezinho, abastecer o veículo...

Em 1926, a região deu os primeiros passos rumo à descoberta de uma vocação econômica que perduraria por muitas décadas. Neste ano o empreendedor Alberto Augusto da Costa e o ceramista francês Henry Gonot abriram aqui a Cerâmica Itaipava. O sucesso do empreendimento atraiu outros ceramistas e a arte de criar objetos em cerâmica passou a ser, durante muitos anos, uma importante atividade local.

Como testemunho da estação de trem, encontramos uma foto de 1938 que mostra a Sra. Carmen Prouvot, de pé, na plataforma, muito bem vestida e com sua mala de viagem, aguardado a chegada do trem.

Spa Saison Itaipava


Na década de cinqüenta, o trem inicia o seu crescente processo de decadência. As “marias-fumaça” passam a ser substituídas gradativamente pelos veículos automotores. Além da tradicional “parada técnica” dos viajantes, para uma refeição rápida, inicia-se um hábito carioca que perdura até hoje: pegar o carro e subir a serra para almoçar.

O ano de 1952 registra a abertura do primeiro restaurante de alta gastronomia, o Le Moulin Belle Mounière. Muitos cariocas passaram a subir a serra especificamente para fazer uma refeição naquele que foi o primeiro restaurante de comida francesa da região serrana. Ele reinou sozinho como destino gastronômico por vinte anos.

Na década de sessenta o Governo Federal planejou extinguir todas as linhas férreas deficitárias. Assim, em 1964 foi extinto o ramal que passava por Itaipava e, consequentemente, foi demolida a estação, bem como erradicados diversos outros pontos da ferrovia que por ali passava, pontes e leitos da linha, além de outros prédios de antigas estações. Sobraram e ainda existem duas estações: as de Nogueira e de Pedro do Rio. Ainda existe também a antiga Estação de Paraibuna em Mont’Serrat, município de Comendador Levy Gasparian, construída em 1856 para a troca das mulas durante as diligências (procedimento realizado várias vezes na viagem entre Petrópolis e Juiz de Fora). Situada em um bonito chalé estilo francês, esta estação abriga atualmente o Museu Rodoviário, onde é possível restaurar em detalhes a história da Rodovia União e Indústria e do rodoviarismo brasileiro.

Em 1976, Léa Archer, esposa do Senador Remy Archer, irmão do Ministro Renato Archer, inaugurou em Itaipava o primeiro Spa do Brasil, a Saison Spa, especializada em reeducação alimentar e qualidade de vida.

Em 1980, com a abertura da BR-040, rodovia federal que veio a substituir a Estrada União e Industria na interligação Rio-Juiz de Fora-Belo Horizonte, Itaipava perdeu o tráfego pesado de caminhões e ônibus.

Isso foi ótimo: Itaipava deixou de ser um ponto de parada e consolidou-se como destino turístico. Rapidamente, expandiram-se pelos arredores os produtores rurais, fornecendo trutas, cogumelos, mel de abelha, ervas aromáticas, hortaliças orgânicas e escargots. Em seguida, multiplicaram-se os produtores artesanais de queijos, de chocolates, geléias e doces.

Ao mesmo tempo, Itaipava passou a ocupar o primeiro lugar dentre os destinos de charme da serra fluminense, conseqüência natural da multiplicidade de pequenas pousadas que mais parecem lugares de sonho.

Hoje Itaipava é uma referência de qualidade. O que continua a se impor são as montanhas maravilhosas, o verde exuberante e o clima ameno, em torno de 15 graus, com quedas de até 8 graus, que atraiu os pioneiros. Todavia, as opções de comércio de alto nível estão cada vez mais diversificadas. Antiquários, artesãos e artistas plásticos se estabeleceram por aqui. As fábricas de roupas de Petrópolis criaram a Feirinha de Itaipava. Grandes marcas espalham-se pelos shopping centers. Todavia, o silêncio, cheio de sons vindos da natureza, continuou se harmonizando com o céu infinitamente estrelado.

Itaipava não se resume mais a um “retão” cercado por um comércio básico, como nos tempos da velha União e Industria. O “retão” continua lá, mas quem se limitar a esse “endereço” não poderá dizer que visitou ou que conhece Itaipava. Chegaram os bancos, os shopping centers se multiplicaram e o movimento às vezes frenético traz vida e alegria. A noite, ao menos nos fins de semana, torna-se uma criança travessa para quem procura o agito das baladas.

A novidade é que Itaipava cresceu muito, a ponto de se confundir com os arredores. Hoje quem fala em Itaipava fala também do seu entorno. As imobiliárias passaram a oferecer luxuosos condomínios escondidos em vales floridos.

Portanto, além de atender aos que buscam a agitação, Itaipava ganhou novos destinos, recantos encantados para passeios, que os desbravadores não se cansam de enaltecer. São novos horizontes para aqueles que querem mesmo é esquecer a cidade, recarregar as baterias, buscar qualidade de vida, comer bem e curtir um clima rural e sossegado.




Referências bibliográficas:

(1) Cf. “Doze Horas e Diligência – Guia do Viajante de Petrópolis à Juiz de Fora”, Revert Henrique Klumb, ed. 1872.

(2) www.estacoesferroviarias.com.br; Revista da Semana, 1926; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Correspondência de Capistrano de Abreu, José Honório Rodrigues, volume 1, Rio de Janeiro, 1954; Revista Estações de Itaipava, artigo “Memórias da Água na Pedra”, publicado no n. 20.

(3) “Itaipava e seus Arredores”, Viana e Mosley Editores, 2004.




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